domingo, 25 de dezembro de 2011

Realidade Cruel

Hospital sempre me faz relembrar minhas origens, ou pensar na merda de país que vivo. Esse não é mais um discurso de revoltado, de forma alguma. Mas sim de uma pessoa consciente sobre a realidade. Onde está a fortuna dos nossos impostos? Para onde vai tanta grana, por favor, me diz? Está quase tudo errado! Por começar na saúde, que deveria contar com equipamentos de primeira linha e médicos extremamente atenciosos. Quanto à educação, o ensino deveria ser decente nas escolas públicas, e os professores, qualificados e satisfeitos. E as estradas que cortam esse país? Sem comentários. Talvez esses fossem bons motivos para o qual nos leitos, carteiras escolares e ruas, hajam tantas pessoas desanimadas, derrotadas, infelizes. E eu digo isto com toda convicção!
Mas nós, idiotas de carteirinha, já sabemos de tudo. Sabemos. Não fazemos nada, e tudo bem. Afinal, ninguém está com saco e nem com coragem pra mudar nada. O que importa é continuar vivendo, trabalhando, pagando mais impostos, mais planos de saúde, mais escolas privadas, mais pedágios, mais tantas coisas. O que definitivamente importa é viver. Viver nesse país de sensualidade barata (em todos os sentidos), onde as pessoas rolam na merda e quanto mais rolam, mais acham graça. Bem-vindos ao nosso país. Bem-vindos ao Brasil.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As cotas como um paliativo nacional

Há tempos tem-se discutido sobre o regime de quotas para negros nas universidades do Brasil. Entretanto, muito se sabe que este tipo de política é falha e não repara as cicatrizes deixadas na cultura brasileira.
Infelizmente, trata-se de um problema cultural: a colonização de exploração implantada em nosso território e sociedade. E com ela, os fortes traços de desigualdade entre brancos (colonizadores) e negros (colonizados). É a partir dessa política que as injustiças se acentuam. E graves impasses se instauram. Como se não bastasse, em 1888, a falsa ideia de "abolição" foi passada com a Lei Áurea, motivada pelas pressões capitalistas da Inglaterra.
Dessa forma, temos a impressão de estar diante de um problema irreversível. E para "ajustar as contas do passado", o governo prefere criar quotas para ajudar o ingresso negros nas universidades do que investir na educação pública, para garantir aos negros o direito de concorrer igualmente à uma vaga com quem quer que seja.
Se há um meio de reprovar a injustiça do passado, esse meio não pode ser as quotas. Elas apenas aumentam as dimensões do problema, separando o que em meio milênio ainda não foi possível homogeneizar. Imagino até que os próprios negros não se sintam a vontade sendo sujeitos de "condições especiais".
Diante de tudo isso, percebe-se claramente que política de quotas não repara os problemas do passado e muito menos diminui a injustiça entre as "raças". Apenas formaliza uma forma de racismo que poderia desaparecer se o governo brasileiro se importasse de fato com a educação desde o ensino de base e fornecesse condições para que todos pudessem ser aprovados de forma igualitária. Sem discriminações raciais.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dia dos Pais

Texto escrito pelo meu Tio e Irmão (com letras maiúsculas) Paulo Roberto, que faz uma homenagem ao seu pai:

O relógio do computador aponta “meia noite e meia”. Eu ainda não terminara de abrir os arquivos quando me lembrei de que amanhã é um dia especial. Primeiro domingo de agosto, data em que se comemora o “dia dos pais”. Fiquei chateado em saber que não poderei ir a Jataí para dar um abraço no senhor e parabenizá-lo por este dia. Isto porque, no próximo fim de semana, possivelmente estarei aí, por conta da formatura do Elissandro. Então, para compensar minha ausência, resolvi escrever algumas palavras...
Não poderia deixar de agradecer por todos os ensinamentos que me proporcionaste. Muitas vezes, sem dizer qualquer palavra, mas através de seus gestos e de seu modo de ser, aprendi muitas coisas da vida que não se aprende em bancos de escolas. Aprendi o valor da honestidade, da simplicidade, da amizade, do trabalho, da responsabilidade com horários e compromissos e tantos outros ensinamentos que certamente me acompanharão por toda a vida.
Com o senhor aprendi a amar o futebol e, em especial, o Clube de Regatas Vasco da Gama, meu time do coração. Me lembro de que ainda muito novo (talvez as minhas primeiras lembranças de menino), o senhor já me colocava para assistir aos jogos do vascão e a torcer com muita vontade por ele. O senhor faz conta de quantos excelentes jogadores passaram pelo nosso gigante da colina? Vou citar alguns como forma de boas lembranças: Roberto Dinamite, Edmundo, Romário, Bismarck, Juninho Pernambucano, Pedrinho, Evair, Mauro Galvão, Odivan, Willian, Boiadeiro, Sorato, Bebeto, Naza, Felipe, Pantera, Mazaropi, Acácio, Carlos Germano e inúmeros outros que nos deram tantas alegrias...
Estou feliz por mais esta data importante em nossas vidas. Com a graça de Deus ela se repetirá por muitos e muitos anos.
Obrigado pelo amor que o senhor sempre teve por mim, desde quando nasci. Me defendendo quando eu era indefeso. Me levantando quando eu caía, me corrigindo quando eu errava. A mesma referência de pai que eu tive quero repassar para meus filhos. Sinto sua falta, assim como sinto de minha mãe (pedaço da minha vida), das minhas irmãs (partes de mim também), dos meus sobrinhos (minhas paixões) e dos meus cunhados (os quais amo como se fossem meus irmãos).
Pai, que Deus lhe dê força e vigor para suportar as agruras dos tempos vindouros. Que o Senhor que te chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz lhe dê paz, alegria e vida. Que o Espírito Santo de Deus habite em seu coração afim de que Ele possa controlar tudo o que há em ti.. Que a graça e a paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo lhe acompanhe hoje e sempre.
Um grande abraço e feliz “dia dos pais”.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Contramão

É tão chato me sentir assim. Até parece que eu não me conheço, depois de tantos anos. Meu devaneio tem sido como um barco, ora o vejo por inteiro, ora ele desaparece por entre as águas, no horizonte. Essa “diferença” alternativa – que é involuntária – me corrói. “Se as pessoas gostam de coisas normais, por que ser diferente?” É isso que tanto fica remoendo minha mente, e é isso que me faz “viajar”. É como se estivesse estampado num outdoor uma série de padrões clichês, e todos se interessassem por eles. Eu prefiro ser diferente. Mas diferente de fato! O que não é fácil, pois ser diferente numa sociedade tão padronizada tem seus riscos: de não ser aceito e de ser um idiota. E quando eu olho para eles, sinto pena e nenhum tipo de inveja. Sinto pena. Mas temo. Temo que esse jeito padronizado seja melhor que o meu, e que eu acabe perdendo pra ele. Pura contradição.
Eu definitivamente não quero que o medo impeça-me de tentar. Mesmo com incertezas, inseguranças, eu preciso criar coragem para ser feliz. E fazer outras pessoas felizes. Se for necessário mais dedicação, darei. Se for necessário mais atenção, darei. E se for preciso mais carinho, oferecerei. Mesmo que esse investimento seja feito mil vezes, em mil situações, não me cansarei. Pra todo fracasso, há novas chances. Não quero perder a oportunidade de merecer... Talvez tudo na mesma intensidade.
Tenho esperança que aqueles que me amam e que estão na minha vida possam entender minha maneira de ser. Por que haja o que houver, onde eu estiver, sempre serei do meu jeito.


"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. " L.F. Veríssimo
Hugs <3

...


 Did I disappoint you?
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without

Did I ask too much, more than a lot?
You gave me nothing, now it's all I got
We're one, but we're not the same.
Well, we hurt each other, then we do it again

Well, it's too late, tonight,
To drag the past out into the light
We're one, but we're not the same
We get to carry each other, carry each other

Chão de Giz

Essa música é impressionante, e muito mais é a capacidade de Zé, de ter escrito uma letra tão linda. Aconselho a procurarem a história dessa música.



Hugs <3

sábado, 3 de julho de 2010

"Miséria da modernização"

Hi there,
   Crescer. Este tem sido o lema do mundo e de suas gentes. Tanto, que nas últimas décadas, não se pensa mais nas conseqüências desse tal “crescimento”.
   No Brasil, não é difícil falar sobre essas conseqüências. Há décadas, o país vem mantendo elevadas taxas de crescimento, estando entre as maiores do mundo. Isso acontece devido ao processo de modernização brasileira, que teve como principal via de modernização as indústrias. Essas indústrias deram um novo aspecto para a economia, possibilitando a partir delas, uma relação campo-cidade. Com a industrialização, causada pela modernização, os complexos rurais saem de campo para dar lugar aos complexos agroindustriais – que se desenvolvem em torno de cadeias produtivas –, transformando as fazendas rurais em verdadeiras empresas rurais, dotadas de tecnologia e que usam maquinários para se obter uma alta produtividade. Em detrimento dessa tal inovação no campo, os trabalhadores rurais perdem seu espaço para as máquinas, gerando o êxodo rural. Eles enxergam as cidades então como uma promessa de sobrevivência e como única saída para o desemprego no campo. Isso tudo, gera um unânime (e desigual) processo de urbanização, tendo um aumento significativo na população urbana em relação à rural. E com esse aumento da população urbana, surgem os problemas: a pobreza, a fome, o desemprego, a miséria. Tudo isso, devido ao estúpido processo deficiente de modernização brasileira. E como sempre, os culpados de tudo isso não são os políticos ou as elites: é a própria população pobre!
   Enquanto isso, no cenário que a modernização atua como protagonista, as indústrias emergem constantemente de uma forma inevitável, e com elas, trazem a necessidade de uma alimentação energética para manter os níveis nacionais de produção. É quando surgem as mais variadas formas de geração de energia, desde as renováveis até as fontes não-renováveis. Com o intuito de sempre produzir mais e gastar menos, para manter suas riquezas e seus luxos, os grandes empresários nunca optam pelo caminho renovável, que é inesgotável, reaproveitável e sustentável para a natureza.
   No âmbito geográfico brasileiro, isso não seria difícil: sua diversidade climática – sol intenso, chuvas, ventos e muita água – possibilitaria uma grande produção de energia. Mas a falta de consciência faz do consumo de energia uma simples atividade corriqueira, aumentando cada vez mais a emissão de tóxicos no meio ambiente, agravando o impacto ambiental e caminhando sem freios rumo ao aquecimento global.
   A modernização, a industrialização, as inovações, os impactos, o crescimento, toda essa conjuntura nos leva a uma simples pergunta: Qual é a solução de tudo isso? O que sei, é que “mais do que máquinas, precisamos de humanidade.” 
Hugs <3