quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As cotas como um paliativo nacional

Há tempos tem-se discutido sobre o regime de quotas para negros nas universidades do Brasil. Entretanto, muito se sabe que este tipo de política é falha e não repara as cicatrizes deixadas na cultura brasileira.
Infelizmente, trata-se de um problema cultural: a colonização de exploração implantada em nosso território e sociedade. E com ela, os fortes traços de desigualdade entre brancos (colonizadores) e negros (colonizados). É a partir dessa política que as injustiças se acentuam. E graves impasses se instauram. Como se não bastasse, em 1888, a falsa ideia de "abolição" foi passada com a Lei Áurea, motivada pelas pressões capitalistas da Inglaterra.
Dessa forma, temos a impressão de estar diante de um problema irreversível. E para "ajustar as contas do passado", o governo prefere criar quotas para ajudar o ingresso negros nas universidades do que investir na educação pública, para garantir aos negros o direito de concorrer igualmente à uma vaga com quem quer que seja.
Se há um meio de reprovar a injustiça do passado, esse meio não pode ser as quotas. Elas apenas aumentam as dimensões do problema, separando o que em meio milênio ainda não foi possível homogeneizar. Imagino até que os próprios negros não se sintam a vontade sendo sujeitos de "condições especiais".
Diante de tudo isso, percebe-se claramente que política de quotas não repara os problemas do passado e muito menos diminui a injustiça entre as "raças". Apenas formaliza uma forma de racismo que poderia desaparecer se o governo brasileiro se importasse de fato com a educação desde o ensino de base e fornecesse condições para que todos pudessem ser aprovados de forma igualitária. Sem discriminações raciais.

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